Jornada do Xaba na Índia 2017

JORNADA DO XABA NA ÍNDIA 2017
Por Xaba, xaba [arroba] ddbr [ponto] org

RESUMO: Relato com uma seleção de fotos que resumem os 36 dias que Xaba passou na Índia entre 2017 e 2018. Entre as principais atividades estão a sua participação na Convergência Internacional de Permacultura para promover a Convergência Brasileira de Permacultura, seu voluntariado na Sadhana Forest, sua visita à Auroville, sua participação na Desconferência das Sociedades de Aprendizagem 2017 e a sua visita ao Ashram Arte de Viver de Sri Sri Ravi Shankar para apresentar a OKA Bioembalagens como um representante.

ABSTRACT: Report and a photos selection that summarize the 36 days that Xaba spent in India between 2017 and 2018. Among the main activities are his participation in the International Permaculture Convergence to promote the Brazilian Permaculture Convergence, his volunteer work at Sadhana Forest, his visiting to Auroville, his participation in the Learning Societies’ unConference 2017, and his visiting to the Sri Sri Ravi Shankar Art of Living Ashram to present OKA Bio-Packaging as a representative.

TÓPICOS

  • Prólogo (Contexto)
  • Participando da Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia
  • Promovendo a Convergência Brasileira de Permacultura na Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia
  • Apresentando a OKA Bioembalagens na Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia
  • De Hyderabad para Pondicherry
  • Voluntariando na Sadhana Forest em Auroville
  • Reunindo Boas Práticas em Auroville
  • De Pondicherry para Bangalore
  • Participando da Desconferência das Sociedades de Aprendizagem (LSuC) 2017 na Índia
  • Apresentando a OKA Bioembalagens no Ashram Centro Internacional Arte de Viver na Índia
  • Realizando um Sonho ao adquirir uma Tabla Indiana

Este texto foi escrito utilizando linguagem inclusiva de acordo com a proposta “Lenguas Latinas Inclusivas de Genero” [https://goo.gl/bnbXF1]. Exemplo: menini = menino + menina.

# Prólogo (Contexto)

Em 2015, enquanto eu assistia ao discurso de Narsanna Koppula, naquele momento o anfitrião do próximo IPC (Conferência e Convergência Internacional de Permacultura) Índia 2017, na Friends (Quakers) House em Londres, Inglaterra, durante a Conferência Internacional de Permacultura, pensei “Agora sim eu tenho um bom motivo para finalmente ir à Índia”. Dias depois, durante a Convergência Internacional de Permacultura que ocorreu no Gilwell Park Scout Activity Centre, nos arredores de Londres, comecei a Sonhar uma possível Convergência Brasileira de Permacultura (CBP).

IPCUK2015

Foto: Xaba com is outris delegadis do IPCUK 2015 em Londres.

No ano seguinte, 2016, durante a minha participação na Convergência da União Europeia de Permacultura (EUPC) em Bolsena, Itália, encontrei a Mildred Gustack Delambre e o Bruno Pythio, e logo começamos a Sonhar juntis um pequeno projeto com o objetivo de mobilizar permaculturas e permacultores do Brasil para realizar a primeira Convergência Brasileira de Permacultura (CBP).

EUPC2016

Foto: Participantes da oficina teórica e prática de Dragon Dreaming oferecido pelo Xaba na EUPC2016 Bolsena, Itália.

Antes de dar prosseguimento, eu gostaria de esclarecer três pontos importantes para uma melhor compreensão deste texto:

  1. Para quem não sabe, “A permacultura é uma cultura que engloba métodos holísticos para planejar, atualizar e manter sistemas de escala humana (jardins, vilas, aldeias e comunidades) ambientalmente sustentáveis, socialmente justos e financeiramente viáveis.” [https://pt.wikipedia.org/wiki/Permacultura].
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  2. A IPC (Conferência e Convergência Internacional de Permacultura) é constituída de dois momentos: a Conferência, que é um evento mais expositivo para a sociedade em geral, e a Convergência, que é um encontro para a troca de experiências e saberes mais direcionado para pessoas que praticam a Permacultura. As Conferências costumam ocorrer antes das Convergências com a duração de 2 à 3 dias e as Convergências costumam ocorrer logo em seguida com a duração de 4 à 6 dias. Em resumo, a IPC é um encontro de permacultoris de vários países e continentes diferentes.
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  3. Buscarei referir-me à Conferência e Convergência Internacional de Permacultura como IPC, à Conferência e Convergência da União Europeia de Permacultura como EUPC e à Convergência Brasileira de Permacultura como CBP. Daqui em diante, caso surjam outras siglas, seu respectivo significado será descrito entre parênteses apenas na sua primeira aparição.

Retomando, enquanto o projeto de mobilização e articulação da CBP avançava bem lentamente, Martin Ewert realizou uma publicação no Facebook em Junho de 2017 perguntando quando seria realizada a primeira CBP [publicação: https://goo.gl/aMtYFN]. Isso gerou uma grande mobilização de permaculturis do Brasil. Neste momento divulgamos o projeto de mobilização e articulação da primeira CBP e convidamos abertamente as pessoas a Sonhar juntis.

Post Martin

Foto: Publicação de Martin Ewert sobre a organização da CBP.

Entre Maio e Novembro de 2017 houve muitos avanços na organização da CBP. Várias pessoas se aproximaram, um encontro presencial de alinhamento e planejamento foi realizado, um projeto para a organização da CBP foi criado e um grupo começou a dar forma a uma possível equipe inicial.

Equipe Semente

Foto: Primeiro encontro presencial da Equipe Semente em Brasília para alinhamento e planejamento da CBP.

Considerando a conjuntura política e econômica do Brasil e do Mundo naquele momento e atualmente, acredito que a realização da CBP é algo muito além de um encontro de permacultoris, pois sinto uma certa urgência em conectar e integrar mais os grupos de permacultura no Brasil para que possamos realizar ações mais efetivas rumo a uma sociedade mais consciente e com uma perspectiva mais sistêmica das questões socioambientais. Acredito muito nas ações autônomas em rede conectadas por um propósito comum para o bem comum.

Mesmo considerando a importância da articulação da CBP e de promover-la na IPC com o objetivo de conectar pessoas, projetos e reunir apoios, ideias, experiências e informações para o fortalecimento da articulação e organização da CBP, por algum momento cheguei a pensar que não conseguiria ir ao IPC devido a alguns desafios que apresentavam-se à mim naquele momento. Com isso, após alguns momentos de reflexão, decidi assumir alguns riscos, reunir esforços e seguir rumo à IPC Índia 2017.

IPC India 2017 - Anunciando CBP

Foto: Xaba convidando as pessoas na tenda principal da IPC para a atividade sobre a CBP.

Como forma de apoiar minha iniciativa, criei um financiamento coletivo (crowdfunding) em uma plataforma internacional [http://ipcindia.ddbr.org] e comecei e solicitar apoio a amiguis, grupos e organizações. Tirei meu e-visa (visto eletrônico) online, comprei minhas passagens dias antes de decolar rumo à Índia, avisei à organização do evento que eu estava a caminho e imediatamente após o término de um Curso Introdutório de Dragon Dreaming que facilitei em São Paulo – SP, embarquei rumo à Índia no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Crowdfunding

Foto: Financiamento Coletivo criado para reunir recursos para a viagem.

Cheguei na Índia pelo Aeroporto Internacional de Hyderabad no período da manhã. Em seguida, passei boa parte do dia tentando comprar um “SIM card” (chip) para o meu celular e descobri que conseguir um “SIM card” como estrangeiro na Índia de forma legal pode ser algo realmente desafiante. Assim que consegui comprar um “SIM Card” no final da tarde, notei que ele não funcionava (mais tarde descobri que outras pessoas tiveram as mesmas dificuldades) e a tela do meu celular começou a apresentar problemas.

Como eu estava determinado a ter acesso à Internet e à registrar alguns momentos da Convergência para divulgação, então busquei algum local para consertar meu celular à noite. No final do processo, meu celular acabou sendo completamente danificado e então decidi comprar um aparelho usado por volta das 22:00. Ao final do dia, depois que cheguei a um Hostel, o aparelho recém adquirido parou de carregar e tive que seguir para a Convergência às 05:30 da manhã seguinte com dois aparelhos completamente disfuncionais. Parecia que o começo da minha jornada na Índia tendia à grandes desafios e frustrações, tal que, precisei de alguns dias para superar tamanha desmotivação.

# Participando da Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia

Devido aos contratempos que encontrei em Hyderabad, cheguei no terceiro dia da Convergência pela manhã bem cedo. Descobri que haviam grandes dificuldades de transporte entre Hyderabad e o local onde estava ocorrendo a Convergência, ou seja, na Polam Farm (Fazenda Polam), localizada no distrito de Medak, Telangana, Índia, podendo levar até 6 (seis) horas de viagem com transporte público. Por isso, preferi pegar um ônibus oficial do evento que saia bem cedo no dia seguinte e que levava apenas 2 (duas) horas da Universidade Agrícola de Hyderabad até a Polam Farm.

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Foto: Entrada do setor com as tendas menores e a tenda principal.

Os dias seguintes à minha chegada foram marcados por grandes reencontros com amiguis de encontros anteriores, participação em várias apresentações e várias conversas paralelas sobre diversos temas relacionados à Permacultura.

IPC Delegates

Foto: Reunião do IPCC com os delegados selecionados nas IPCs.

No primeiro dia encontrei um casal de brasileiris, o Rodrigo Braga e a Mariana Gonçalez, que estavam como voluntárìs e que me apoiaram bastante. A Mariana emprestou um celular reserva dela para mim e, com isso, pude registrar alguns momentos da Convergência. O Rodrigo estava tirando fotos com outra câmera e no último dia fiz uma cópia das fotos tiradas por ele.

IPC India 2017 - Tenda Menor

Foto: Uma tenda menor para a realização de apresentações.

No encontro havia um local permanente com várias pessoas da Índia apresentando e ensinando técnicas tradicionais de manejo, artesanato, armazenamento de sementes, tecelagem, realizando trocas e venda de sementes, etc. Assim como no IPCUK 2015 (IPC realizado em Londres, Inglaterra), de forma similar havia uma tenda principal no centro e outras tendas menores ao redor da tenda principal para a realização de apresentações e outras atividades. No caso do IPC Índia haviam 9 (nove) tendas menores para apresentações e outras tendas menores com funcionalidades específicas.

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Foto: Local permanente com práticas tradicionais indianas.

Havia uma boa quantidade de banheiros secos e banheiros convencionais. Os banhos eram à base de balde e caneca em pequenas áreas cercadas, tendo também disponível água quente aquecida por uma fornalha a lenha. Haviam locais com água potável, tenda de informações, tenda para cuidar das crianças, tenda para acesso à Internet (raramente funcionava), área de alimentação onde eram servidos 3 (três) bufês ao dia com comidas indianas, área de acampamento para participantes com barraca própria, área de acampamento com barracas do próprio evento e área de acampamento dis voluntárìs.

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Foto: Área de alimentação.

Toda a infraestrutura da Convergência foi construída com um grande esforço de várìs voluntárìs de vários países diferentes que chegaram antes da Convergência, ao passo que, algumas pessoas chegaram meses antes. Há relatos de que foram encontradas muitas dificuldades na preparação dos espaços, construção das estruturas e organização do encontro. Ao final, as estruturas da Convergência atenderam bem às demandas e is voluntárìs foram reconhecidis pelas pessoas que participaram da Convergência pelo ótimo trabalho realizado.

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Foto: Reunião dis voluntárìs para Celebrar e tirar a foto oficial do grupo.

# Promovendo a Convergência Brasileira de Permacultura na Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia

Chegando na Convergência logo tratei de encontrar com o André Fossaluza, com quem tenho trabalhado junto com outras pessoas na Equipe Semente, que tem como objetivo começar o processo inicial de organização da CBP. Assim que confirmei minha viagem, pedi ao André Fossaluza para incluir uma atividade sobre a CBP na programação aberta da IPC, pois ele já estava atuando como voluntário na organização da Convergência.

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Foto: Xaba participando de uma atividade na tenda principal.

Durante a Convergência, busquei participar das atividades promovidas pelo Conselho da Convergência Internacional de Permacultura (IPCC) para conversar sobre a estrutura de organização das IPCs, reunir informações sobre boas práticas para a organização de Conferências e Convergências de Permacultura e promover a CBP. Houve uma atividade muito importante em que foram apresentadas todas as IPCs já realizadas, onde foram ressaltados os pontos positivos e as dificuldades encontradas em cada encontro.

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Foto: Apresentação das IPCs pela Margarethe Holzer, integrante da IPCC.

Em uma das atividades, onde foram apresentadas algumas informações sobre a próxima IPC que ocorrerá na Argentina em 2020 (IPC2020) pelo anfitrião Tierra Martinez, ressaltei a importância de promovermos a realização de mais Convergências nacionais nos países da América Latina de forma integrada à organização da próxima IPC2020 como uma forma de integração e fortalecimento do movimento da Permacultura na América Latina, além de apoiar a próxima IPC2020 e fortalecer o movimento da Permacultura no Mundo como um todo.

Posteriormente, conversei com Tierra Martinez para falar sobre o processo de organização da primeira CBP. Durante a conversa percebemos a importância de estabelecer relações de apoio mútuo entre as organizações da IPC2020 e da CBP, além de utilizar modelos de organização semelhantes para otimizar as articulações, a integração e os fluxos de informações entre as organizações.

IPC India 2017 - Tierra Voluntáìs

Foto: Reunião realizada com is voluntárìs da IPC com Tierra Martinez para reunir ideias e sugestões para a realização da IPC2020.

Uma das principais ideias identificadas foi elaborar modelos fractais de organização que equilibrem momentos relacionais, para a conexão entre as pessoas com base em experiências emocionais e afetivas, com momentos estruturais, para discussão com tomadas de decisão e encaminhamento de propostas. Ou seja, equilibrar momentos de emoção e razão de forma caórdica e sistêmica nas convergências.

IPC India 2017 - Xaba and Tierra Martines

Foto: Tierra Martinez, anfitrião da IPC Argentina 2020, e Xaba ao final da IPC Índia 2017.

Outra ideia identificada foi a de sincronizar as convergências regionais com as convergências nacionais, continentais e globais, para que ideias, necessidades e propostas devidamente alinhadas e sistematizadas possam fluir dos encontros regionais para os encontros nacionais, continentais e globais, e vice-versa. Assim, poderíamos ter convergências regionais e nacionais todos os anos e convergências continentais e globais a cada dois anos, dentro de um movimento sincronizado “de baixo para cima e de cima para baixo”.

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Foto: Amiguis queridis. Da esquerda para a direita, Xaba, Mariana Gonçalez, André Fossaluza e Rodrigo Braga.

No último dia da IPC, realizamos a atividade para falar sobre a CBP. Eu organizei uma apresentação no computador para ser projetada [disponível em https://goo.gl/JPu7CQ] e quase todis brasileiris presentes na IPC compareceram na atividade. Tivemos como participantes do Brasil: André Fossaluza, Ruth Andrade, Rodrigo Braga, Mariana Gonçalez e Xaba.

IPC India 2017 - CBP Group
Foto: Falantes de língua portuguesa na apresentação da CBP na IPC2017 Índia. Da esquerda para a direita: André Fossaluza, Mariana Gonçalez, Xaba, Rodrigo Braga e Ruth Andrade.

Mais fotos da IPC Índia 2017 estão disponíveis em https://goo.gl/PEFsSX.

# Apresentando a OKA Bioembalagens na Convergência Internacional de Permacultura 2017 na Índia

Dias antes de viajar para a Índia, encontrei com a amiga Erika Cezarini Cardoso, que hoje está à frente da OKA Bioembalagens [http://www.okabioembalagens.com.br], uma pequena empresa que tem como proposta produzir embalagens e talheres descartáveis com fécula de mandioca e outros materiais naturais, compostáveis, biodegradáveis e dependendo do material até comestíveis, como uma alternativa ecológica e sustentável em relação às embalagens derivadas do petróleo como o plástico e o isopor. Na ocasião, aproveitando o contexto, tivemos a ideia de eu apresentar a proposta da OKA na IPC.

A Érika enviou algumas apresentações da OKA para o meu e-mail e o seu filho, Felipe Gabriel da Rocha, deixou algumas colherinhas de mandioca comigo durante o Curso Introdutório de Dragon Dreaming que eu estava facilitando em São Paulo – SP para serem exibidas e degustadas durante a apresentação.

Desta forma, inclui a apresentação da OKA na programação aberta da IPC, anunciei a apresentação no palco principal com a degustação de uma colher (a platéia ficou muito surpresa quando eu comi a colher) e realizei uma apresentação para um público de aproximadamente 20 pessoas em uma das tendas menores.

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Foto: Apresentação da OKA durante a IPC Índia 2017.

Resumidamente, a proposta da OKA é difundir a tecnologia de forma aberta, descentralizada e organizada, para que empreendedoris conscientes possam produzir suas próprias máquinas e embalagens nas suas próprias regiões com o propósito de diminuir impactos ambientais provenientes de transporte de embalagens de um local para outro.

Ao final da apresentação da OKA, falei um pouco sobre o Dragon Dreaming [http://dragondreaming.org] e como a OKA tem se inspirado na ferramenta para desenvolver seus processos organizacionais.

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Foto: Grupo de participantes da apresentação da OKA durante a IPC Índia 2017.

Durante a apresentação destacou-se a presença de Aayush Kedia, um jovem empreendedor indiano que tem produzido pratos com folhas de palmeira na Índia. Ele ficou muito interessado na proposta da OKA e manifestou o interesse de articular possíveis parcerias para levar a tecnologia da OKA para a Índia. Hoje a Índia é a segunda maior produtora de mandioca do mundo e apresenta um grande mercado consumidor em potencial.

# De Hyderabad para Pondicherry

Após o término da Convergência, segui para Hyderabad em um dos ônibus oficiais disponibilizados pela Convergência. Durante o trajeto um colega indiano, Ajayy, foi muito gentil e comprou minha passagem de Hyderabad para Pondicherry pelo seu celular: isso pode parecer simples, mas não é, pois o site mais utilizado para comprar passagens de ônibus online é o http://www.redbus.in e, ao que parece, apenas indianos conseguem comprar passagens. Então, precisamos de algumi amigui indiani para comprar alguma passagem para nós.

Neste mesmo dia, Ajayy recebeu várias pessoas da IPC na sua casa e nos levou para almoçar e um restaurante típico indiano. Ele pagou a conta de todas is suis convidadis e depois levou-me de moto até a ponto de ônibus que, sinceramente, se não fosse por ele eu não teria a menor ideia em saber que naquele lugar que ele havia deixado-me havia um ponto de ônibus, pois Hyderabad é uma cidade maior que São Paulo, com muita gente por todos os lados, trânsito intenso e caótico comparado com o trânsito no Brasil.

Peguei um micro-ônibus que deixou-me em uma enorme avenida “no meio do nada”. Perguntei às pessoas, com sorte encontrei alguém que falava inglês, e eles disseram que o ônibus maior estava a caminho. Depois de esperar por quase uma hora, peguei um ônibus que não tinha poltronas, mas sim, beliches, onde as pessoas dormiam durante a viagem noturna. O ônibus não tinha banheiro e quando alguém precisava urinar entrava em contato com o motorista que parava no local apropriado mais próximo. Daí então, quase todos os homens (não vi mulheres saindo do ônibus) saiam para urinar. De tempos em tempos o ônibus parava em alguma lanchonete onde haviam banheiros disponíveis e quase sempre vendiam chai (chá com especiarias misturado com leite muito comum na Índia).

Quando o ônibus começou a aproximar-se de Pondicherry, pedi ao motorista para deixar-me no local mais próximo possível de Auroville. Desci do ônibus e logo apareceu um tuc-tuc, espécie de triciclo muito utilizado para transporte fretado na Índia, com quem negociei meu transporte para Sadhana Forest (Floresta Sadhana), minha próxima parada.

# Voluntariando na Sadhana Forest em Auroville

Cheguei na Sadhana Forest (Floresta Sadhana) no dia 03 de Dezembro, Domingo, por volta das 09:00. Ao chegar pedi informações e caminhei até o Main Hut (Cabana Principal), onde encontrei o Michael da Alemanha que estava como “welcomer”, ou seja, recepcionando visitantes e is novis voluntárìs naquele dia. Após alguns esclarecimentos sobre os critérios, condições e protocolos de como funciona o local, realizei minha contribuição econômica pela alimentação para as próximas duas semanas, assinei um pequeno “contrato” pela minha estadia e, em seguida, comecei a percorrer o terreno acompanhado do Michael que explicava-me e orientava-me à respeito de cada local e de como as coisas funcionavam.

SF Entrance

Foto: Entrada da Sadhana Forest.

A Shadana Forest [http://sadhanaforest.org] é um projeto autônomo para o desenvolvimento de vida sustentável, segurança alimentar através de transformação ecológica, reflorestamento, retenção e aumento do volume de água em um terreno, veganismo, lixo zero – redução de consumo e reciclagem (zero waste) e economia da dádiva (gift economy). Ao mesmo tempo, Sadhana Forest é parte integrante de Auroville [https://www.auroville.org], uma comunidade experimental no sul da Índia fundada em 1968 pelo líder espiritual Mirra Alfassa como uma cidade onde pessoas de todo o mundo poderiam viver em harmonia.

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Foto: Cozinha da Sadhana Forest.

A rotina diária em Sadhana Forest começa com o despertar dis voluntaris às 05:30, seguido do Círculo da Manhã (Morning Circle) às 06:00 onde são distribuídas as atividades do primeiro seva (serviços voluntários) que começa às 06:05. Às 08:30 começa o café da manhã, constituído majoritariamente por frutas e algum tipo de mingau de cereais, e às 09:30 é iniciado o segundo seva com término às 12:00. Às 12:30 começa o almoço que termina por volta das 13:30. A tarde é livre para quem não assumiu algum seva no período da tarde e às 18:00 começa o jantar.

SF Planting

Foto: Plantando árvores em Sadhana Forest.

Todos os dias depois do jantar costuma acontecer alguma atividade aberta organizada pelo grupo de voluntários de longo prazo da Sadhana Forest ou por algumi voluntárì que esteja de passagem. Todas as Quarta-Feiras à noite há um show de talentos e todos os Domingos à noite há uma reunião com todis voluntárìs para a distribuição dos sevas semanais, orientação e atualização dis novis voluntaris, realização de anúncios e alinhamento de equipe. Todas as Sexta-Feiras às 16:00 sai um ônibus da Sola Kitchen (Cozinha Solar) em Auroville com visitantes para participar de uma visita guiada aberta que começa à partir das 16:30 seguida de um jantar que é oferecido gratuitamente à todas as pessoas presentes.

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Foto: Cortando lenha em Sadhana Forest.

Há vários sevas disponíveis como: plantar árvores, realizar manejo das mudas, realizar a manutenção nos banheiros, realizar a manutenção dos locais de higienização, cozinhar, realizar o controle de cupim e insetos, recolher e cortar lenha, realizar triagem de resíduos sólidos,  gerenciar os painéis solares, organizar pratos e talheres, gerenciar e consertar as ferramentas, etc. Durante as reuniões de Domingo à noite pode-se assumir sevas semanais, ou seja, assumir um seva durante toda a semana. Durante a semana, pode-se escolher participar de sevas diferentes a cada dia.

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Foto: Técnica de plantio de árvores utilizada na Sadhana Forest.

A estrutura arquitetônica em Sadhana Forest é bem simples e rústica. A maioria das estruturas são cabanas de madeira com telhados de palha. Há outras estruturas construídas com chapas recicladas de aço e telhado feito com materiais reciclados. Todos os banheiros são secos (não há descarga) e toda a energia elétrica utilizada no local é gerada por painéis solares instalados ou por uma bicicleta coletiva geradora de energia.

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Foto: Uma cabana (hut) individual da Sadhana Forest.

Para is voluntaris de curto prazo está disponível um alojamento coletivo equipado com camas de corda (ou diretamente no piso de madeira) com colchão e mosquiteiro, e uma área de banho coletiva. Para is voluntaris de longo prazo e para casais estão disponíveis cabanas individuais equipadas com colchão de casal, mosquiteiro e área de banho privada. Todas os banhos são realizados utilizando água fria, um balde e uma caneca, no melhor estilo indiano.

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Foto: Alojamento coletivo para is voluntárìs de curto prazo.

Na cabana principal são realizadas todas as refeições, as reuniões de Domingo à noite e os Círculos da Manhã caso esteja chovendo, além de incluir o escritório administrativo, a área de acesso à Internet dis voluntárìs de longo prazo, a área de acesso à Internet dis voluntárìs de curto prazo e a cabana principal original que contém um pequeno histórico e uma pequena exposição permanente de fotos do projeto, além do telefone e uma tabela com vários números de contato úteis como táxis, aluguel de motos, hospitais, etc.

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Foto: Cabana Principal da Sadhana Forest.

Na entrada principal há um estacionamento de visitantes, um estacionamento de motos, um estacionamento de bicicletas da própria Sadhana Forest que também podem ser alugadas por dia ou por longos períodos e um pequeno posto policial indiano permanente. No projeto também há uma cabana de meditação, uma biblioteca, uma loja da dádiva para trocas (gift shop), um lago de lama (mud pool), uma cabana de ferramentas e materiais, uma cabana para o manejo dos resíduos sólidos, uma cabana para a geração e gerenciamento da energia elétrica, um curral para o cuidado de três vacas que foram resgatadas (o leite das vacas não é utilizado para consumo) e a casa da família criadora do projeto (is Israelensis Aviram Rozin, Yorit Rozin e suas duas filhas).

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Foto: Banheiro seco típico em Sadhana Forest.

No período que estive na Shadana Forest haviam em torno de 50 voluntárìs no total, incluindo is voluntárìs de curto e longo prazo. A maioria dis voluntárìs eram da Alemanha, Israel, Estados Unidos, Índia e Coréia do Sul, tendo também voluntárìs da França, Espanha, China, Taiwan, Canadá e Estonia. Ouvi relatos de que em alguns períodos Sadhana Forest já chegou a ter em torno de 100 à 150 voluntárìs presentes ao mesmo tempo. Ouvi também que em 2017 chegaram a passar mais de 1000 voluntárìs de várias partes do mundo pelo projeto.

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Foto: Área de acesso à Internet dis voluntárìs de longo prazo.

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Foto: Participantes da Oficina de Dragon Dreaming oferecida pelo Xaba no Sadhana Forest.

Sadhana Forest também conta com outras unidades similares e que realizam atividades semelhantes com os mesmos princípios do projeto original no Haiti e no Kenya.

Shadana Forest Tour

Foto: Dia de visita na Sadhana Forest.

Mais fotos da Shadana Forest estão disponíveis em https://goo.gl/wWifRN.

# Reunindo Boas Práticas em Auroville

Durante meus tempos livres em que estive voluntariando na Shadana Forest e na semana seguinte que estive em Auroville visitei alguns outros projetos de Auroville como: Buddha Garden [http://buddhagarden.org], Terra Soul [http://www.terrasoul.org], Solitud Organic Farm [http://aurovillepermaculture.in], Africa Pavillon [https://www.africahouse.in], Matrimandir [https://www.auroville.org/contents/252], Tibetan Pavillon [https://www.auroville.org/contents/1411], Solar Kitchen [https://www.auroville.org/contents/513], Silence Farm, Sustenance Farm [https://www.auroville.org/contents/2903], Bamboo Centre [http://aurovillebamboocentre.org], Svaram (construção e desenvolvimento de instrumentos musicais) [http://www.svaram.org], YouthLink Project [https://www.youthlink.org.in] e Pitchandikulam Forest [http://www.pitchandikulamforest.org].

Auroville Dreamers Cafe

Foto: Xaba na entrada do Dreamers Café localizado no Centro de Visitantes (Visitors Centre) de Auroville.

Solitud Farm Tour

Foto: Participando de uma visita à Solitud Farm.

Durante o período que estive em Auroville encontrei-me muito com amiguis na Ganesh Bakery (Padaria Ganesha) [https://www.auroville.org/contents/3503] localizada na região de Kottakarai e na Dinesh Cafe, próximo à Solar Kitchen, e no restaurante localizado na  Sustenance Farm, onde tu podes desfrutar de um almoço indiano típico (folhas de bananeira como prato e comendo arroz, samba, curries, chutney e appam com as mãos – também há talheres disponíveis) e comer à vontade por apenas 85 rupias (R$4,50 em Dezembro de 2017). Estes são os locais em Auroville nos quais mais senti-me em algum estabelecimento tipicamente indiano e com um preço mais acessível, pois a maioria dos outros locais tendem a ter muitas influências ocidentais.

Auroville Sustenance Farm Friends

Foto: Almoço com amiguis no restaurante da Sustenance Farm acompanhado pelo responsável do restaurante.

Sustenance Farm

Foto: Restaurante da Sustenance Farm.

Durante as visitas pude entender melhor a dinâmica dos projetos existentes em Auroville. A sensação que tenho é que cada projeto tem a sua própria autonomia acompanhada de um conjunto de protocolos que os conectam à Auroville. Para criar um novo projeto em Auroville é necessário ser um auroviliano, ou seja, passar por todo o processo para tornar-se membro permanente de Auroville. Pelos relatos que escutei, o processo para tornar-se auroviliano tem se tornado cada vez mais longo e desafiante com o passar dos anos.

Street Cows

Foto: Haviam vacas no meio do caminho…

Matrimandir

Foto: Xaba apontando para Matrimandir.

Mais fotos da minha visita à Auroville estão disponíveis em https://goo.gl/62g8xw.

# De Pondicherry para Bangalore

Durante minha última semana em Auroville, Cynthia Tina, uma amiga dos Estados Unidos que é membro da GEN – Global Ecovillage Network (Rede Global de Ecovilas), sugeriu que eu participasse da LSuC – Learning Societies’ unConference (Desconferência das Sociedades de Aprendizagem) [http://shikshantar.org/LSuC] que estava para ocorrer na semana seguinte. Com isso, entrei em contato com a organização para checar a possibilidade de participar, mesmo que de última hora.

Auroville Friends

Foto: Com amiguis no Tibetan Pavillon em Auroville.

Com a confirmação da minha participação, comprei uma passagem de ônibus em uma pequena agência de viagens em Kuilapalayam. Escolhi mais uma vez viajar em um ônibus noturno que possui pequenas beliches no seu interior e onde podemos dormir durante toda a viagem. Minha experiência de viagem foi semelhante à viagem que fiz de Hyderabad para Pondicherry.

No dia 25 de Dezembro, em pleno Natal, fui a uma festa que estava ocorrendo na Silence Farm em Auroville para encontrar algumis amiguis. Deixei o local durante a festa, fui até onde eu estava ficando hospedado e depois peguei um tuc-tuc rumo à Pondicherry, onde peguei o ônibus noturno. Chegando em Bangalore, desci na Electronic City por volta das 5:00. Em meio a um trânsito intenso e caótico, aproximei-me de um grupo de pessoas que dirigiam tuc-tucs e pedi para levar-me ao local do encontro. Cheguei ao encontro por volta das 05:30 e comecei a procurar por informações e local de hospedagem.

# Participando da Desconferência das Sociedades de Aprendizagem (LSuC) 2017 na Índia

Acredito que uma boa forma de explicar o que é a LSuC – Learning Societies’ unConference (Desconferência das Sociedades de Aprendizagem) é apresentando o chamado (convite) para a edição de 2017 no qual eu participei (traduzido do original em Inglês por mim):

“Quais são suas experiências com a expansão da consciência humana?

A Desconferência das Sociedades de Aprendizagem procura reunir todos os tipos de pessoas que criam diversas comunidades de aprendizagem, espaços de aprendizagem sustentáveis, processos criativos de des/aprendizagem, etc para novos modelos de felicidade, bem-estar e swaraj [swaraj significa “auto-regra” (auto-rule)].

Convidamos todos os educadores alternativos, educadores de casa, desescolarizadores, educadores do mundo, criativos culturais, artistas, designers, curandeiros, agricultores orgânicos, eco-arquitetos, exploradores espirituais, ativistas da economia da dádiva (giftivistas: gift economy) e construtores comunitários, avós, empreendedores sociais, ecologistas, etc.”

Fonte: http://shikshantar.org/LSuC

A LSuC 2017 aconteceu no Bhoomi College, Bangalore, Índia, entre os dias 26 e 30 de Dezembro de 2017. O encontro acontece na Índia todos os anos já a 10 anos, sendo organizado quase que completamente por indianos e idealizado inicialmente por Manish Jain. Durante o encontro há uma presença marcantes dos idiomas Hindi, Inglês e de outros idiomas regionais de onde esteja ocorrendo o encontro. Em várias ocasiões eu tive que pedir ajuda de tradução para algumi indiani próximi para entender alguma fala em Hindi ou em algum outro idioma regional da Índia.

LSuC Manish Xaba

Foto: Xaba e Manish Jain durante o LSuC 2017.

A impressão que tive é que o encontro é um grande Espaço Aberto (Open Space), onde qualquer coisa pode ser proposta como um processo de aprendizagem, construção e/ou desconstrução. Há muitos incentivos para que is participantes sintam-se livres e pensem fora da caixa.

LSuC Openning 002

Foto: Abertura do LSuC 2017.

O encontro começou com uma bela abertura onde as pessoas envolvidas na organização foram devidamente apresentadas e reconhecidas. Em seguida a abertura seguiu com uma séria de jogos cooperativos, danças circulares e dinâmicas de grupo. Achei muito interessante o fato deles utilizarem várias danças circulares e algumas dinâmicas também utilizadas no programa Guerreiros Sem Armas ou Jogos Oasis (comento isso por já ter participado do programa) que acontece no Brasil. A abertura seguiu de forma muito simples e conectada com is participantes do encontro. Ao final da manhã, foi explicada a metodologia dos Espaços Abertos para que, após o almoço, já pudessem ser realizadas algumas sessões.

LSuC DD

Foto: Oficina de Dragon Dreaming oferecida pelo Xaba no primeiro dia do LSuC 2017. (foto por Cynthia Tina)

Havia um mural de atividades em formato de tabela com 25 espaços disponíveis a cada período, sendo que, haviam os períodos da manhã, da tarde e fim de tarde. Com isso, eram realizados em torno de 75 Espaços Abertos todos os dias, fora as atividades paralelas e espontâneas que ocorriam a todo momento durante o encontro. Cada pessoa podia escrever uma proposta de atividade em uma folha e fixar em algum espaço disponível no mural de atividades. Outros espaços alternativos surgiam a todo momento e eram indicados no mural ou envolta dele com papéis fixados contendo as devidas informações das atividades e a descrição do local.

LSuC Open Space

Foto: Mural de atividades dos Espaços Abertos e Avisos. (foto por Cynthia Tina)

A atmosfera de autogestão do encontro era muito viva e presente, onde por várias vezes escutei dizer que “todis são voluntárìs”, ou seja, a autogestão era uma das máximas do encontro. Todo o processo era fluido e quando surgia algum imprevisto, ou mesmo, algum problema, tudo era resolvido, corrigido e/ou reorganizado “em tempo real” no melhor bom humor possível, de forma descontraída e paciente, mesmo que houvesse a necessidade de mobilizar grande parte dis participantes do encontro para isso.

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Foto: Círculo de Abertura da Manhã no LSuC 2017.

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Foto: Panorâmica do Círculo de Abertura da Manhã no LSuC 2017.

Haviam três refeições (desjejum, almoço e jantar) tipicamente indianas por dia com intervalos para chá, chai, biscoitos e outros lanches (snacks). Também haviam algumas barraquinhas vendendo comidas, livros, cosméticos, roupas, água de côco, etc. Qualquer pessoa podia expor seus produtos e/ou realizar trocas.

LSuC Food

Foto: Área de alimentação no LSuC 2017.

O encontro contava com um sistema de hospedagem simples, podendo ser em colchões em algum quarto coletivo ou ginásio, ou mesmo, em camping. Um outro colégio que estava a 30 minutos caminhando estava sendo utilizado para hospedar as pessoas. Haviam pequenos ônibus que faziam o translado das pessoas de um colégio para o outro a cada 30 minutos aproximadamente.

LSuC Camping

Foto: Área de camping no LSuC 2017.

Todos os dias à noite haviam apresentações culturais indianas no anfiteatro do colégio onde estava sendo realizado o encontro. Presenciei apresentações incríveis e de grande qualidade com artistas Indianos. Houve um dia marcante onde quase toda a platéia começou a dançar e o artista que estava cantando e tocando foi solicitado a tocar mais uma música por várias vezes pelo público ao final de sua apresentação. Houve também um dia marcante com a realização de um show de talentos aberto ao público em geral.

LSuC DD 002

Foto: Participantes da Oficina Prática de Dragon Dreaming oferecida pelo Xaba no LSuC 2017.

A impressão que tive foi a de estar em um encontro com muitas pessoas incríveis de várias parte da Índia que estão buscando fazer a diferença e/ou desenvolvendo algum projeto incrível. Com um alto clima de colaboração, autogestão e inovação, eu sentia-me completamente à vontade. Neste sentido, participei de várias atividades e ofereci algumas outras. Conheci e conectei-me a muitas novas pessoas. Fiz novas amizades e (re)conheci novas perspectivas.

LSuC Capoeira

Foto: Grupo de participantes da Oficina de Capoeira do Brasil oferecida pelo Xaba.

A LSuC é um encontro incrível que recomendo para qualquer pessoa que está buscando experiências para  a expansão da consciência humana.

Mais fotos da LSuC 2017 estão disponíveis em https://goo.gl/T4oaWU.

# Apresentando a OKA Bioembalagens no Ashram Centro Internacional Arte de Viver na Índia

Da mesma forma que surgiu a ideia de eu apresentar a proposta da OKA Bioembalagens [http://www.okabioembalagens.com.br] durante a IPC Índia 2017, a Erika Cezarini Cardoso pediu-me para apresentar a proposta da OKA no Centro Internacional Arte de Viver [https://www.artofliving.org], em Bangalore, Índia, como um representante da OKA devido a um convite que o próprio Sri Sri Ravi Shankar fez à ela em 2016 de apresentar a proposta da OKA no seu Ashram na Índia.

AoL Entrance

Foto: Outdoor de boas vindas na entrada do Ashram Arte de Viver.

Desta forma, assim que comecei minha viagem pela Índia, eu e a Érika já começamos a contactar pessoas da organização da Arte de Viver para agendar uma visita ao Ashram. Vários e-mails foram trocados entre algumas pessoas até que, finalmente, conseguimos confirmar uma apresentação da proposta da OKA no Ashram a apenas uma semana da data que eu teria disponibilidade para apresentação, ou seja, entre os dias 31 de Dezembro de 2017 e 01 de Janeiro de 2018, devido à minha participação na LSuC 2017 e devido ao meu voo de retorno à América Latina agendado para o dia 02 de Janeiro às 03:35.

AoL Theater

Foto: Anfiteatro do Ashram Arte de Viver.

Coincidentemente, comprei uma passagem saindo de Bangalore por questões econômicas e sem ter a menor ideia de que eu participaria da LSuC e que eu poderia visitar o Ashram. A confirmação da minha hospedagem no Ashram foi feita um dia antes do dia que fui ao Ashram, ou seja, todo o processo foi corrido, intenso e sincrônico.

Com isso, no dia seguinte ao término da LSuC, no dia 31 de Dezembro, segui rumo ao Ashram de Sri Sri Ravi Shankar. Chegando ao Ashram fui bem recebido e direcionado para um quarto individual. Em seguida levaram-me para conhecer alguns locais do Ashram e, principalmente, um espaço de Permacultura que estão desenvolvendo, onde conheci e conversei um pouco com Binay Qumar, a pessoa responsável pelo espaço de Permacultura no Ashram.

AoL Permaculture

Foto: Xaba encontra com Binay Qumar no espaço de Permacultura do Asharam Arte de Viver.

Enquanto estive no Ashram, recebi três refeições diárias gratuitamente como visitante, aproveitei para descansar, traduzir a apresentação da OKA para a língua inglesa, pesquisar pela Internet por locais onde eu poderia comprar uma Tabla indiana (um velho Sonho meu) e terminar de organizar os meus próximos passos rumo ao Chile para participar de um curso durante todo o mês de Janeiro. Passei o ano novo no satsang que foi realizado no templo central com muitas pessoas cantando e dançando vários mantras (bajas).

AoL Temple

Foto: Templo principal do Ashram Arte de Viver.

Na tarde do dia 01 de Janeiro de 2018, apresentei a proposta da OKA para um pequeno grupo de pessoas responsáveis pela organização, coordenação e gestão do Ashram. O grupo ficou muito interessado e entusiasmado com a possibilidade de realizar uma parceria com a OKA. Com isso, definimos alguns próximos passos para continuar com a nossa comunicação e alinhar alguma possível parceria no futuro.

OKA Presentation AoL

Foto: Apresentação da OKA no Centro Internacional Arte de Viver em Bangalore, Índia.

Mais fotos da minha visita ao Ashram Arte de Viver estão disponíveis em https://goo.gl/on9qsT.

# Realizando um Sonho ao adquirir uma Tabla Indiana

Após o término da apresentação da OKA no Ashram Centro Internacional Arte de Viver em Bangalore, fui ao meu quarto onde eu estava hospedado para pegar as minhas coisas e retomar meu projeto de encontrar algum local onde eu poderia comprar uma Tabla Indiana antes de partir.

Como era um período de final de ano, fiquei pensando se encontraria alguma loja aberta. Contactei algumas lojas diferentes, pedi ajuda a algumis amiguis indianis para indicar lojas ou pessoas que poderiam vender alguma Tabla. Finalmente, a partir de uma indicação de uma pessoa, Plakor Kovacevic, que conheci durante o jantar no Ashram, encontrei uma loja que estaria aberta até às 21:00 e que estaria no caminho para o aeroporto.

Cheguei à loja de instrumentos musicais por volta das 20:00. Como faltava o martelo para a afinação da Tabla, fui com um funcionário da loja, Harshit Bhandari, de moto com a Tabla e toda a minha bagagem até uma outra loja para conseguir o martelo. Comento que andar de moto na hora do rush (horário de pico) no centro de uma grande cidade da Índia é uma aventura que não tem preço: é muita emoção.

Após conseguir o martelo, Harshit gentilmente acompanhou-me a comer em uma lanchonete próxima. Conversamos sobre o nosso interesse pela música, sobre ritmos Brasileiros e Indianos, sobre as diferenças culturais entre o Brasil e a Índia e, principalmente, sobre as nossas semelhanças. Assim, por volta das 22:00, peguei um transporte até o aeroporto internacional de Bangalore, onde peguei um voo para o Chile, passando por Frankfurt e São Paulo.

Tabla

Foto: Xaba e sua recém adquirida Tabla Indiana.

Tabla 002

Tabla: Dono e funcionário da loja onde Xaba comprou sua Tabla indiana.

Eis então o fim da Jornada do Xaba na Índia 2017. Todos os objetivos foram alcançados e muitas novas e inesperadas oportunidades, aprendizados e sincronicidades ocorreram da melhor forma possível. Gratidão. ❤

Bye India

Foto: Até logo Índia.

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