O Mundo e a Copa

O Mundo e a Copa
Por Xaba, 17/06/2018
http://bit.ly/2JLsihC
Texto complementar ao texto “A Copa e o Mundo” que se encontra em http://bit.ly/2LYNNbi

Ao longe ouço fogos de artifício que anunciam a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2018. Entre meus afazeres, meu pensamento remeteu-me ao texto “A Copa e o Mundo” que escrevi durante um jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Na ocasião, inspirado pelo texto de Steven Brown que cita George Orwell,

“(…) nós ‘pensamos duas vezes’: sustentando duas ‘verdades’ incongruentes nas nossas cabeças sem perceber como isso é insano. Não acreditamos nelas de verdade, não sabemos realmente em que acreditar. ‘Pensar duas vezes’ torna a vida mais fácil, e não é isso o que importa na vida?”,

discorri sobre algumas reflexões à respeito de alguns paradoxos e incoerências que sustentamos sem, talvez, dar-nos conta disso.

Voltando à Copa do Mundo, noto que o evento reúne diversos times de diversos países e uma mega estrutura que, suponho, tende a gerar um enorme impacto ambiental enquanto não produz e não retorna algum valor realmente relevante para a humanidade.

Os times são exclusivamente constituídos por jogadores, homens, muito bem pagos pelos seus respectivos clubes e, sem falar dos clubes… A quantidade de recursos utilizada para produzir diversas vestimentas, enfeites, produtos, transmissão de dados, propagandas, viagens, consumo, consumo, consumo, etc poderia ser muito melhor direcionada para atender a algumas necessidades urgentes no planeta. Além disso, percebo tratar-se de um entretenimento com base em um cultura ganha-perde que tende ao perde-perde. De pessoas mais práticas, pode surgir a pergunta “o que ganhamos com isso?”. Na minha visão, a probabilidade tende ao sentimento de derrota.

Desta vez, inspirado pelas palavras de Deepak Chopra (As Sete Leis Espirituais do Sucesso, edição de bolso, página 80):

“A energia e a informação existem em toda parte da natureza; no nível da consciência pura não há nada senão energia e informação. Isso quer dizer que não há limites bem definidos entre nosso corpo físico e o estendido – o universo. Podemos mudar conscientemente a energia e a informação de nosso corpo e influenciar a energia e a informação de nosso corpo estendido – nosso meio ambiente – e levar coisas a se manifestarem dentro dele.

Essa mudança é efetivada por duas qualidades inerentes à consciência: a atenção e a intenção. A atenção energiza e a intenção transforma. Tudo aquilo em que colocamos atenção torna-se mais forte em nossa vida; tudo que retiramos a atenção definha e desaparece. A intenção deflagra a transformação de energia e informação e organiza sua própria realização. A qualidade da intenção sobre o objeto da atenção orquestra uma infinidade de detalhes para provocar o resultado almejado.”

Fico a refletir, “onde as pessoas estão colocando a sua atenção e com qual intenção?”, ou mesmo, “qual é a realidade que está sendo criada afinal?”.

Novamente, percebo o eterno retorno dos ciclos históricos e as mesmas inconsequências. De 2014 até agora as dificuldades políticas e econômicas tem aumentado no Brasil e, ao que parece, isso não importa muito agora, pois em breve teremos mais um jogo do Brasil. E isso acontece a cada instante, na micareta, no barzinho e na balada. De fato, há quem diga “está tudo muito difícil e precisamos nos divertir” e sim, se divertir é realmente importante e há diversas formas de se divertir, menos ou mais construtivas e/ou conscientes.

Retornando ao fragmento escrito por Deepak Chopra, considerando que atenção e intenção são “duas qualidades inerentes à consciência”, tenho refletido que consciência e visão sistêmica estão intimamente atreladas. Tenho refletido cada vez mais que visão sistêmica “é” espiritualidade, independente de credos e religiões. Noto que pessoas com visão sistêmica estão mais suscetíveis a não deixarem-se influenciar por preconceitos e/ou tabus.

Preconceitos e tabus limitam a liberdade construtiva e as infinitas possibilidades presentes no universo. Quanto mais consciência temos, mais prestamos atenção nas coisas e mais frequentemente tomamos decisões com base em nossa intenção e talvez, com ou sem consciência, na intuição.

E, afinal de contas, novamente (!?), o que a Mundo tem a ver com a Copa? Nas nossas micro escolhas podemos “provocar o resultado almejado” no “nosso corpo estendido – nosso meio ambiente”. O Mundo é o que escolhemos e, por isso, novamente, eu escolho o Mundo, e não a Copa, pois “Tudo aquilo em que colocamos atenção torna-se mais forte em nossa vida; tudo que retiramos a atenção definha e desaparece”.

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Xaba

Xaba Piffer is a consultant, facilitator and designer of regenerative, aware and disruptive groups and projects for innovation and systemic sustainability. Master of Physics, eco-entrepreneur, permaculturist, international multiplier of Dragon Dreaming, Transition Network and Gaia Education, also has a background in Sociocracy, Non-Violent Communication, Circular Processes, Art of Hosting, Appreciative Inquiry and Insight Seminars (IV), has participated also in Warrior Without Weapons (Oasis Games), Germinar and WYSE International Leadership programs. He has already facilitated dozens of Dragon Dreaming courses and projects in several countries in Latin America and Europe.

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