Entrevista com o Xaba Sobre Alimentação Crua e Vegana

ENTREVISTA COM O XABA SOBRE ALIMENTAÇÃO CRUA E VEGANA
Entrevista concedida à Victor Matioli da revista Babel, do departamento de jornalismo da USP, no dia 12 de Junho de 2018.
Fonte: http://bit.ly/2JLCiHz

• Antes de mais nada, você pode fazer uma breve apresentação pessoal? Você é adepto da alimentação viva? Como foi sua trajetória?

Eu sou o Xaba, nasci e cresci no Espírito Santo e hoje moro em São Paulo. Sou Mestre em Física e hoje trabalho realizando consultorias e treinamentos com grupos e organizações com o foco em inovação, criatividade, eficácia, mudança de cultura, colaboração, desenvolvimento pessoal, felicidade, consciência, tecnologias regenerativas e sustentabilidade sistêmica.

De antemão, pela minha compreensão, a alimentação viva é constituída por alimentos veganos, crús e grãos germinados. Com isso, a alimentação viva é crua e vegana, e a alimentação crua e vegana não é necessariamente viva (caso não contenha grãos crús germinados). Acho importante esclarecer isso antes de seguir adiante. O meu foco aqui será falar sobre alimentação crudívora vegana e, neste caso, pretendo utilizar apenas o termo crudívora quando eu quiser fazer referência à dieta crudívora vegana.

Sou vegetariano desde 2002 e já experimentei e vivenciei as dietas vegetariana, ovo-lácteo vegetariana, lacto vegetariana, vegana, crudívora, frugívora e frutariana. Em 2008 eu comecei a experimentar a dieta crudívora e em seguida experimentei a dieta frutariana por 1 (um) ano.

A minha dieta mudou de acordo com o meu momento e contexto, ao passo que, percebo que com cada dieta o meu corpo se estabilizou com um peso diferente e apresentou características diferentes de elasticidade e textura da pele, cheiro e sensibilidade dos sentidos. Hoje eu estou vegano com a intenção de retomar a dieta crudívora.

• Existe algum tipo de censo que tenha contabilizado o número de crudívoros no Brasil? Você sente que o número de adeptos vem crescendo?

Eu desconheço algum senso que tenha contabilidade exclusivamente crudívoros. De acordo com o último senso oficial brasileiro o número de vegetarianos cresceu para 6%. Eu noto que o número de vegetarianos, veganos e crudívoros tem aumentado consideravelmente no Brasil.

• Quais motivos você acredita que são mais determinantes para as pessoas optarem pelo crudivorismo?

Isso é muito relativo, pois pelo que eu tenho observado, as pessoas que se interessam pelo crudivorismo tendem a ter uma visão de mundo mais ampla e sistêmica e em relação à dieta, ou seja, não é apenas pelo fator saúde, ecológico, econômico, espiritual, e sim, pelo fato de tudo estar relacionado e conectado. Cada pessoa possui as suas próprias razões e motivos e isso é um processo muito íntimo e pessoal.

• De que maneira, na sua opinião, a alimentação interfere na vida de uma pessoa? Quais os efeitos do crudivorismo nos adeptos, tanto física quanto psicologicamente?

Da mesma forma que uma pessoa vegetariana influencia, instiga e/ou inspira diretamente as pessoas ao seu redor, em relação à dieta crudívora acontece o mesmo, só que de uma forma mais intensa e em uma maior escala.

Sem a intenção de generalizar, noto que uma pessoa que segue uma dieta crudívora tende a buscar e valorizar alimentos frescos, locais, provenientes de agricultura familiar, que valorize e cuide das pessoas que produzem e/ou transportam, orgânicos e/ou agroecológicos e/ou agroflorestais, sem a necessidade de embalagens, cozimento, grandes períodos de conservação e transporte. Com isso, o índice de consumo e impacto ambiental é muito menor, afetando diretamente na economia, no sentido de transformar a economia, no bem estar, na autonomia e na qualidade de vida das pessoas.

De forma prática, para qualquer mudança de dieta, há uma mudança de comportamento, padrões e rotinas. Uma pessoa que esteja iniciando uma dieta qualquer pode encontrar algumas dificuldades de encontrar alimentos fora de casa e isso, pouco a pouco, tende a ser amenizado com a autodisciplina e com as soluções que são criadas e/ou descobertas no decorrer da dieta. É, em boa parte, uma questão de mudança de olhar e de decisão interna, pois quando há um compromisso interno bem resolvido, tudo o que for necessário tende a ser encontrado.

Na questão física, falando de mim mesmo, percebi mais vitalidade, ânimo, disposição, energia, força, leveza, alegria, bom humor, clareza de pensamentos e tudo isso com menos sono e menos fome. Com a consolidação da dieta crudívora eu poderia passar um dia inteiro sem comer sem grandes dificuldades, pois percebi o desenvolvimento interno de um processo de desapego pela comida e uma melhor autogestão emocional, ou seja, desenvolvi mais a minha força de vontade, autonomia e poder de escolha.

• Que recomendações você daria para uma pessoa que pretende adotar o crudivorismo?

Inicialmente, sugiro que a pessoa se informe mais e busque apoio. Para isso é importante ler alguns livros e/ou assistir a alguns vídeos sobre crudivorismo e conversar com outras pessoas que já passaram pelo processo de transição, pois isso pode gerar uma maior sensação de apoio, conforto e segurança.

Percebo que há pessoas que preferem uma mudança radical, eliminando todos os alimentos cozidos de uma só vez, e que há outras pessoas que preferem uma mudança gradativa, de acordo com o momento e o contexto. De qualquer forma, para a maioria das pessoas eu sugiro começar o processo de transição devagar, aumentando gradativamente a quantidade de alimentos crús nas refeições até, quem sabe, a pessoa possa consolidar uma dieta 100% crudívora. Caso a pessoa seja vegetariana, sugiro iniciar e consolidar uma dieta vegana antes de começar uma dieta crudívora. O maior desafio a ser superado é o apego emocional aos alimentos e, por isso, o tempo de transição para cada pessoa é único e relativo.

Noto que muitas pessoas que começam a transição costumam utilizar muitos temperos para compensar a ausência de gostos fortes e intensos encontrados nos alimentos cozidos. Isso é bem comum e tende a se normalizar e a se equilibrar com o tempo, ou seja, pouco a pouco as pessoas tendem a diminuir a quantidade de temperos , misturas e preparos.

Como referência, sugiro ler o livro “12 Passos para o Crudivorismo” de Victoria Boutenko, onde a autora argumenta que a relação de apego que temos com os alimentos cozidos é equivalente ao vício adquirido pelo uso de certas substâncias adictivas. Por isso, não basta saber que a mudança é para melhor ao superar um hábito indesejável, e sim, que haja uma decisão interna clara e consciente, caso contrário, será muito mais desafiante superar o processo de transição. A autora também recomenda evitar completamente a presença de alimentos cozidos por pelo menos 1 (um) mês, assim que for iniciado o processo de transição, para que as pessoas não tenham “recaídas”: essa sugestão radical funcionou bastante para mim.

Após a consolidação da dieta crudívora, que pode levar de 3 (três) a 6 (seis) meses, dependendo de cada pessoa, sugiro ler o livro “A Dieta 80/10/10” de Douglas N. Graham, para que a pessoa possa ter uma melhor compreenção bioquímica dos alimentos e de como combinálos com o objetivo de seguir uma dieta mais eficaz e equilibrada.

VEJA TAMBÉM

A Dieta 80/10/10: Um Pequeno Resumo, Xaba
Fonte: http://bit.ly/2MzzmLS

 

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Published by:

Xaba

Xaba Piffer is a consultant, facilitator and designer of regenerative, aware and disruptive groups and projects for innovation and systemic sustainability. Master of Physics, eco-entrepreneur, permaculturist, international multiplier of Dragon Dreaming, Transition Network and Gaia Education, also has a background in Sociocracy, Non-Violent Communication, Circular Processes, Art of Hosting, Appreciative Inquiry and Insight Seminars (IV), has participated also in Warrior Without Weapons (Oasis Games), Germinar and WYSE International Leadership programs. He has already facilitated dozens of Dragon Dreaming courses and projects in several countries in Latin America and Europe.

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